Como os edifícios em Curitiba mostram a modernidade urbana, da Catedral Basílica ao Edifício Garcez, Palácio Avenida, Teatro Guaíra, Brasilino Moura e Santa Rosa

Como os edifícios em Curitiba mostram a modernidade urbana, da Catedral Basílica ao Edifício Garcez, Palácio Avenida, Teatro Guaíra, Brasilino Moura e Santa Rosa

No centro histórico de Curitiba, os edifícios em Curitiba articulam estilos que vão do neogótico ao brutalismo, passando pelo art déco e pelo modernismo que transformou a paisagem urbana nas décadas de 1940 e 1950

No coração da cidade, torres, fachadas e esquadrias cruzam séculos e narram a mudança de prioridades estéticas, tecnológicas e sociais da capital paranaense.

Da Catedral Basílica de Curitiba, de 1893, às intervenções modernistas do pós-guerra, a leitura do espaço público revela camadas de escolhas urbanas e referências internacionais.

Este texto retoma relatos e análises do material recebido, incluindo observações do historiador Marcelo Sutil e do arquiteto Fábio Domingos Batista, conforme informações divulgadas pela Fundação Cultural de Curitiba e pelos especialistas citados.

Centro histórico reunindo estilos e referências

No trajeto de menos de um quilômetro entre marcos do centro é possível ver o convívio entre períodos distintos, o que torna os edifícios em Curitiba um verdadeiro museu a céu aberto. A Catedral Basílica de Curitiba, de 1893, ergue suas torres neogóticas nas proximidades do Edifício Garcez, arranha-céu modernista de 1927. O Palácio Avenida, art déco de 1929, localizado no calçadão da Rua XV de Novembro, dialoga com o Teatro Guaíra, em estilo brutalista dos anos 1970, criando uma paisagem urbana de contrastes e continuidade.

A década de 1940 e a virada na paisagem urbana

Para entender o surgimento da verticalização, é preciso voltar à década de 1940, quando a cidade iniciou um processo de modernização e passou a incorporar referências europeias. Nas palavras do arquiteto Fábio Domingos Batista, “Em Curitiba, a década de 1940 marcou uma virada decisiva na formação da paisagem urbana. A cidade iniciou um processo de modernização. A arquitetura passou a incorporar referências europeias. Foi uma fase mais cosmopolita. As edificações dialogavam diretamente com correntes arquitetônicas internacionais”. Essa mudança se expressou na busca por linhas mais limpas e funções claras nas fachadas.

Edifícios referenciais das décadas de 1940 e 1950

O historiador Marcelo Sutil destaca que, na transição para o modernismo, alguns prédios passaram a servir de referência para a paisagem, “São edifícios referenciais para a paisagem de Curitiba das décadas de 1940 e 1950. É o período em que a cidade buscava uma arquitetura mais limpa, mais despida de adereços. É a chegada de um prenúncio do modernismo”, observa. Entre esses marcos estão o Edifício Brasilino Moura e o Edifício Santa Rosa, que sintetizam o encontro entre verticalização incipiente e as soluções formais da época.

Brasilino Moura, esquina e a fama de “balança, mas não cai”

O Edifício Brasilino Moura, inaugurado em 1944 pela Construtora Gutierrez, Paula & Munhoz, tornou-se marco residencial e visual na esquina das ruas Cândido Lopes e Ébano Pereira. A solução para fachadas em duas ruas, o uso precoce de esquadrias de ferro e vitrais, e o posicionamento de planta refletem escolhas de inovação, segundo o arquiteto Fábio Domingos Batista. O historiador Marcelo Sutil lembra que “Era uma época em que a arquitetura ainda podia brincar com a inclinação das janelas. Isso deu origem até ao apelido popular de ‘balança, mas não cai'”.

Sutil reforça o valor urbano do prédio, “É um grande edifício residencial e, ainda hoje, um marco na paisagem. Quando se fala do Brasilino Moura, todo mundo sabe onde é. Ele funciona como ponto de referência daquele centro mais antigo da cidade”. O prédio mantém função e visibilidade, e ajuda a entender a forma como a cidade se orientava então.

Santa Rosa e o icônico “termômetro” de janelas

O Edifício Santa Rosa, idealizado pelo engenheiro Rivadávia Fonseca de Macedo e inaugurado em dezembro de 1940 na região da Praça Tiradentes, destacou-se por inovações de conforto, como aquecimento de água e elevador, e por soluções formais mais retas. Ao se posicionar no meio da quadra, “Diferentemente de outros prédios da praça no período, quando se preferia construções em esquinas, ele se posiciona no meio da quadra, reforçando essa leitura urbana”, observa Marcelo Sutil.

Um dos elementos mais lembrados do Santa Rosa é o conjunto cilíndrico de janelas que virou símbolo do prédio, e que Sutil define, “É um marco na paisagem. Às vezes passa despercebido, mas é muito importante. Aquele famoso ‘termômetro’ de janelas é bem característico e ajuda a identificar o edifício”. Sobre o revestimento e o acabamento, o arquiteto Fábio Batista assinala que “Seu revestimento é em pó de pedra, comum a esse estilo arquitetônico na cidade naquela época, mas também um símbolo de modernismo”. Ainda segundo relatos familiares, “De acordo com relatos de sua família, o engenheiro teria criado a janela tubular de vidro inspirado em um termômetro de mercúrio”.

Preservação, memória e identidade urbana

O conjunto desses prédios evidencia que os edifícios em Curitiba não são apenas objetos estéticos, são narrativas materiais de escolhas sociais e tecnológicas. Como lembra Marcelo Sutil, essas construções ajudam a compreender a cidade, e têm valor patrimonial, “É um edifício importante para preservação dentro do contexto da Curitiba moderna dos anos 1950”. A preservação dessas camadas permite que moradores e visitantes leiam a história urbana a cada esquina.

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