Descoberta da tumba de Tutancâmon, Howard Carter e o momento em que o sarcófago foi aberto, ‘sim, coisas maravilhosas’ e o suspiro diante da máscara dourada

Imagem representando a descoberta da tumba de Tutancâmon por Howard Carter, com o momento do sarcófago aberto e a máscara dourada.

Descoberta da tumba de Tutancâmon, Howard Carter e o momento em que o sarcófago foi aberto, ‘sim, coisas maravilhosas’ e o suspiro diante da máscara dourada

Como foi o momento da descoberta da tumba de Tutancâmon, quando Howard Carter abriu o sarcófago e revelou a riqueza que fez os presentes suspirarem de admiração

Em uma sala escura do Vale dos Reis, a luz revelou ouro, estátuas e objetos que permaneceram intocados por milênios.

A cena, descrita pelo arqueólogo Howard Carter, transformou-se em um ícone da arqueologia e da egiptomania do século 20.

As informações a seguir são baseadas em reportagem da BBC Culture, conforme informação divulgada pela BBC Culture.

A visão que fez todos suspirar

Na lembrança de Howard Carter, o momento em que a tampa do caixão foi erguida foi quase cinematográfico, com a luz iluminando o interior e revelando a riqueza do túmulo.

Carter descreveu em seu relato, “À medida que meus olhos se acostumavam à luz, detalhes da sala surgiam levemente na névoa. Animais estranhos, estátuas e ouro. O brilho do ouro em toda parte.”

Ao ver a face dourada do rei, ele anotou que “a efígie dourada do jovem rei, em um trabalho magnífico, preencheu toda a câmara.”

Sobre o impacto imediato, ele recordou que “Um suspiro de deslumbramento escapou dos nossos lábios, de tão bela que era a visão que atingia nossos olhos”.

O contexto da descoberta e o peso do sarcófago

Howard Carter, que deixou a escola aos 15 anos e se tornou desenhista e investigador no Egito, encontrou a tumba após anos de escavações no Vale dos Reis.

Aos 17 anos, Carter já trabalhava no Egito, e a reviravolta veio em novembro de 1922 quando, ao espiar por um orifício, teria respondido ao seu patrono Lorde Carnarvon, “sim, coisas maravilhosas”.

Em 12 de fevereiro, ao atingir o sarcófago, a equipe se deparou com um enorme bloco de pedra que pesava cerca de 1.130 kg, cuja remoção exigiu um elaborado sistema de polias e a presença de dignitários que assistiram à abertura.

O que veio à luz foi uma sequência de três caixões encaixados, e a presença de pequenos vestígios, como uma tigela com reboco, uma lâmpada escurecida e pedaços de madeira, que reforçavam a sensação de que aquelas pessoas haviam partido há muito tempo.

O som de 3 mil anos e a circulação dos objetos

Alguns objetos da tumba seguiram para o Museu do Cairo, entre eles duas trombetas, uma de prata e outra de bronze, que voltaram a soar em 1939 para uma audiência global.

Na transmissão, o produtor Rex Keating afirmou que “Após um silêncio de mais de 3 mil anos, estas duas vozes do glorioso passado do Egito ecoaram por todo o mundo”.

O trompetista James Tappern foi o músico que executou as peças antigas diante de uma audiência estimada em 150 milhões de ouvintes.

Legado, números e estudos ainda em curso

A descoberta deu origem ao que a imprensa chamou de culto ao rei Tut e impulsionou uma onda de egiptomania nos anos 1920, influenciando moda, arte e cultura popular.

Sobre a quantidade de itens, a pesquisadora Elizabeth Frood declarou, “Estamos falando em bem mais de 5 mil objetos individuais e acho que isso meio que dominou a questão”.

Em razão dessa magnitude, “desde a descoberta da tumba em 1922, cerca de 1,8 mil peças de um total de mais de 5,5 mil que estavam dentro da tumba estavam em exibição”, situação que motivou novas formas de mostrar o conjunto ao público.

Em 2025, conforme a mesma fonte, todo o conteúdo da tumba foi finalmente colocado em exposição em um novo museu próximo à Grande Pirâmide de Khufu, com a intenção de oferecer ao visitante a experiência completa, tal como Howard Carter teve quando abriu o sarcófago.

Mesmo com museus e exposições globais, a múmia de Tutancâmon permaneceu no Vale dos Reis, onde os sinais deixados pelos rituais funerários, como uma pequena coroa de flores sobre a tampa dourada, lembram que “3,3 mil anos são um período de tempo muito curto”, nas palavras atribuídas por Carter ao observar essas oferendas.

As peças continuam a instigar pesquisa e fascínio, e ainda há muitos mistérios por examinar entre os mais de 5,5 mil objetos associados à tumba, lembrando que a história de Tutancâmon transita entre a cultura popular e a investigação acadêmica, com muitos estudos ainda por vir.

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