Pix por aproximação completa um ano com baixa adesão, só 0,01% das transações Pix, limite de R$ 500 no Google Pay e aposta em empresas
O Pix por aproximação completa um ano neste sábado, com uso ainda tímido entre os consumidores, mesmo sendo promovido como alternativa mais rápida ao Pix tradicional.
Em parte, a baixa adesão se deve a limites de segurança e a controles operacionais que, segundo o mercado, freiam a expansão da modalidade.
Os dados oficiais e as análises de mercado apontam para um começo lento, com sinais recentes de crescimento, especialmente entre empresas, conforme informação divulgada pelo Banco Central (BC) e pela Associação dos Iniciadores de Transação de Pagamento (Init).
Números e participação
Em janeiro, as transferências por aproximação corresponderam a apenas 0,01% do total de transações Pix e a 0,02% do valor movimentado no mês, segundo dados do Banco Central.
De um total de 6,33 bilhões de transferências Pix no mês passado, apenas 1,057 milhão foi realizado por meio da aproximação do celular a uma maquininha de cartão ou a uma tela de computador.
Em termos de valores, foram movimentados R$ 568,73 milhões por aproximação, de um total de R$ 2,69 trilhões em janeiro, mostram as estatísticas oficiais.
A modalidade tem crescido a partir de números muito baixos, saltando de 35,3 mil transações em julho, cinco meses após o lançamento, para mais de 1 milhão de transferências em novembro, segundo as séries divulgadas.
Limites, segurança e uso via carteiras
Para inibir golpes com maquininhas de cartão, o Banco Central estabeleceu limite padrão de R$ 500 para cada Pix por aproximação quando a transação é feita via Google Pay, carteira digital para dispositivos Android.
O Google Pay está presente em pouco mais de 80% dos celulares dos brasileiros, o que torna a regra relevante para grande parte dos usuários, segundo as informações divulgadas.
Quando a transferência é feita pelos aplicativos das instituições financeiras, obrigadas a oferecer o Pix por aproximação, os limites podem ser alterados. O correntista pode diminuir o valor por transação e também criar um valor máximo por dia.
Potencial e desafios para empresas e pontos de venda
O grande diferencial do Pix por aproximação é a rapidez, aproximando a experiência dos pagamentos por cartão com aproximação, reduzindo o tempo de pagamento em comércios com alto fluxo de público e em filas.
Gustavo Lino, diretor executivo da Init, aponta que as restrições do BC e os limites operacionais tornam a adesão mais lenta, mas avalia que há espaço para expansão, principalmente entre empresas.
“O potencial é grande, sobretudo quando a oferta amadurece e passa a suportar mais casos de uso, inclusive no ambiente corporativo, mantendo a confiança como fundamento”, afirma Lino.
Para ele, a consolidação da oferta pelo comércio e por demais empresas deve ampliar o uso, sobretudo em pontos de venda com grande fila. “Um ano depois, o Pix por aproximação reforça a direção de evolução do Pix para estar mais presente em pagamentos de alta recorrência e no ponto de venda”, acrescenta.
No ambiente corporativo, jornadas específicas de pagamento, como transferências entre filiais e matriz, podem ampliar o interesse, e, segundo Lino, “todo o processo está sendo feito com a preservação dos controles de segurança”.
O que observar daqui para frente
Apesar do começo discreto, os montantes movimentados pela modalidade demonstram crescimento acelerado em meses recentes, com picos em novembro e dezembro, quando os valores saltaram significativamente, até atingir R$ 133,151 milhões em dezembro, segundo as séries citadas.
A expansão dependerá da combinação entre evolução da oferta, ajustes de limites que mantenham a segurança, e comunicação clara ao público sobre vantagens reais no ponto de venda.
Enquanto isso, consumidores e lojistas devem avaliar vantagens e riscos do Pix por aproximação, considerando limites e controles disponíveis nas carteiras digitais e nos aplicativos dos bancos.

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